A maioria dos investidores-anjo não tem um CTO no bolso para levar em cada reunião - e mesmo quem tem, raramente pede acesso ao código antes de assinar. O resultado é que a decisão de investir em uma startup de tecnologia é tomada, na prática, sem nunca ter avaliado a tecnologia. Isto é um guia para fechar esse buraco.
As 5 dimensões que importam
1. Arquitetura e escalabilidade
A pergunta não é "o produto funciona hoje" - é "o que quebra primeiro quando os usuários multiplicarem por dez". Arquiteturas monolíticas sem separação clara, ausência de estratégia de cache e nenhum teste de carga são sinais de que ninguém pensou além da demo.1 Pergunta para o founder: "O que vocês fariam diferente na arquitetura se soubessem, hoje, que vão ter 10x os usuários em 6 meses?" - a resposta revela se o time já pensou nisso ou está ouvindo a pergunta pela primeira vez.
2. Segurança e conformidade (LGPD incluída)
Dado sensível exposto, autenticação quebrada e segredo/credencial commitado direto no repositório de código são os red flags mais comuns - e os mais caros de descobrir depois do aporte, quando já viraram passivo jurídico.1 Para startups que tocam dado de saúde, financeiro ou de menor, a régua é ainda mais alta.
3. Dívida técnica e "bus factor"
Um "bus factor de um" - onde um único engenheiro concentra todo o conhecimento crítico do sistema - é apontado por especialistas em due diligence como um dos fatores que mais repreçam um deal, junto com licenciamento de código aberto GPL/AGPL vinculado a software proprietário sem que ninguém tenha percebido.1 Pergunte diretamente: "Se você saísse de férias por 3 semanas sem internet, o que pararia de funcionar?"
4. O time realmente entrega, ou só demonstra
Ausência de testes automatizados nos caminhos que geram receita é um sinal de alerta recorrente em checklists de due diligence técnica - não porque testes sejam um fim em si, mas porque a ausência deles revela como o time trabalha sob pressão.1 Peça para ver o histórico de commits dos últimos 3 meses, não só a demo preparada para a reunião.
5. O MVP no ar bate com o pitch
A pergunta mais simples costuma ser a mais reveladora: peça para usar o produto você mesmo, ao vivo, sem o founder guiando a tela. O que quebra, trava ou não existe nesse teste é mais confiável do que qualquer slide.
Quanto custa fazer isso direito
No mercado americano, due diligence técnica independente para uma rodada early-stage gira tipicamente entre US$15 mil e US$60 mil, dependendo do tamanho do deal e da complexidade do sistema.1 Para a maioria dos investidores-anjo escrevendo cheques de five-to-six-figures, esse custo não fecha a conta - o que explica por que a etapa quase sempre é pulada, e não porque não importe.
O que isto NÃO substitui
Avaliação técnica responde uma pergunta específica: a tecnologia é o que o founder diz que é, e aguenta crescer? Ela não substitui due diligence jurídica (estrutura societária, cap table, propriedade intelectual formalizada), financeira (projeções, unit economics, runway real) ou de mercado (tamanho de mercado, concorrência, timing). As quatro juntas formam a decisão - nenhuma sozinha.